segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Escola Primária Portuguesa ao Serviço do Estado Novo, pela Dr.ª Paula Pereira

Numa noite chuvosa voltamos a juntar na biblioteca da EB1 de Vila Nova de Caparica, sede do Clube Peões da Caparica, um bom grupo de pessoas para ouvir falar de uma diferente faceta do anterior regime que governou Portugal.
 
                           

As Conversas à Quinta têm começado sempre, com um pequeno momento musical, desta feita inovamos com a presença do Coro Santa Ana. O Coro regido pelo Prof. João Antunes fez uma atuação excelente começando com “Bist du bei mir” de Johann Sebastian Bach, cantou mais duas música que não registamos e terminou com “Ipharadisi”, cântico tradicional da África do Sul. Este coro, que teve uma atuação excelente, é mais um grupo, com sede aqui em Vila Nova de Caparica, aberto a quem tenha gosto por cantar. Muito obrigado Coro Santa Ana pela excelente atuação e longa vida!
 
Iniciada a palestra, a Dr.ª Paula Pereira começou por fazer o enquadramento da Escola Primária no período do Estado Novo. A escola não era neutra mas antes um motor de promoção do projeto ideológico nacionalista, de inspiração no socialismo nacionalista germânico. A escola reduziu a transmissão de conhecimento ao mínimo: saber ler, escrever e contar. Completava essa base com forte formação cívica para a cidadania, com o objetivo de estimular o vínculo dos indivíduos com a nação, e com os valores morais da religião católica e princípios do estado novo. Pretendia-se com esta escola a formação de um individuo dócil, onde os princípios republicanos desapareciam totalmente, obediente e sacrificável pelo bem da nação.  A educação era diferenciada e separada para rapazes e raparigas. Os rapazes recebiam uma educação orientada para exercer uma profissão; as raparigas para serem donas de casa e mães. A educação não permitia ascensão social. Outro ideal passado pelas célebres lições de Salazar era que no campo é que se estava bem; a cidade é o local de vícios, conflitos e desemprego. A família portuguesa deveria ser poupada, pobre, católica e feliz. O pai deveria assegurar o rendimento da família e a mãe deveria ser boa dona de casa e completar a educação dos filhos.
 
                         

A função de professor no Estado Novo era totalmente desconsiderada, desqualificada e mal paga. Maioritariamente esta profissão acabou por ser assumida por mulheres. Exigia-se que os professores fossem missionários ao serviço da ideologia da nação, com curtos meios materiais no terreno, baixos ordenados e turmas dramaticamente grandes, entre 40 e 80 alunos. A orientação ideológica era conseguida através do jornal Escola Portuguesa, editado entre 1933 e 1975. A orientação ideológica, precisa para cada aula, era fornecida na página deste jornal. Outras orientações complementares eram as lições de Salazar, as comemorações anuais dos momentos históricos selecionados para engradecer a Nação; a grande exposição do Mundo Português em 1940, e outros acontecimentos de similar índole.

As professoras acabaram por ser um problema para o regime. Afinal a educação das raparigas para serem mães e donas de casa, falhava quando exerciam a profissão de professoras. O regime resolveu isso identificando que quem era eficaz para educar os seus filhos também era para educar os filhos dos outros. Geralmente as professoras provinham de meios sociais mais instruídos, que o local para onde eram destacadas, em consequência eram muitas vezes mal aceites nas aldeias.
O regime estabeleceu que a professora deveria: ter espírito de sacrifício; as virtudes de Maria; usar roupas escuras e compridas, cabelos apanhados e não usar pinturas. As professoras solteiras não poderiam conduzir ou serem conduzidas por terceiros em qualquer veículo (com ou sem motor), por isso ser motivo de escândalo nas comunidades. As professoras só poderiam casar com um marido que auferisse rendimento superior ao delas próprias. Era um comportamento imoral, sobretudo das professoras, dar um beijo ou mesmo dar a mão ao namorado.

Todos os desvios da idealidade nacionalista das virtudes do professor, poderiam ser motivo de queixas. O ministério da educação dispunha apenas de 8 inspetores para todo o país para verificar a execução o exercício da profissão de professor. Para ultrapassar essa dificuldade fez sair uma norma onde fazia de cada português, um observador atento da vida do professor, e sempre que acontecessem desvios deveriam ser feitas queixas para o ministério. Em consequência das queixas surgiam os processos disciplinares. Em resultado dos processos resultava o afastamento temporário, a mudança de escola ou afastamento da profissão.

Muitas situações genéricas destas queixas foram dadas, com base num trabalho exaustivo da consulta dos processos instruídos pelo ministério contra os professores entre 1929 e 1955.
Foi uma palestra fantástica, e no final ainda houve disponibilidade para atender a muitas questões que surgiram na audiência.

Ficamos gratos à Dr.ª Paula Pereira, por nos ter proporcionado um momento enriquecedor sobre este período da história.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Conversas à Quinta.....Comemoração do Nascimento de Jesus



Estivemos, uma vez mais, numa simpática 
Conversa à Quinta............com café no dia 11 de dezembro.

              
       A proposta do Dr. André Fernandes assentou na comemoração
    do nascimento de Jesus, numa dupla dimensão: Histórica factual e Teológica.     
As comemorações natalícias que não se limitam apenas à adoração de um menino muito especial que nasceu envolto no Mistério da Encarnação. Os seus gestos despertam o interesse, não só de crentes, mas também de ateus.




Madalena Santos

Dr. André Fernandes






Com café ......bolo e chá.


A Entrega do Diploma de Participação.....O nosso agradecimento.








                     

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

Telhado de vidro – Isabel Canha

Aconteceu mais uma extraordinária conversa à Quinta, com a igualmente extraordinária Isabel Canha que nos veio falar de Telhado de Vidro (frágil ou difícil de transpor?).
Mas afinal o que é que impede as mulheres de chegar ao topo (ao “telhado de Vidro”) de carreiras ou de empresas?

Serão os homens os culpados ou as próprias mulheres?
As mulheres são 52% da população. Em 2005, 52% dos doutoramentos foram concluídos de mulheres, mas, surgem apenas representadas em funções de gestão em 31% face aos homens. Refira-se que só em 1990 é que chegaram ao topo do poder nas empresas, mas em número muito reduzido.
Foram revistas características mais atribuídas na generalidade aos homens, como: racionalidade, autoridade, vaidade, auto-confiança, etc.. Enquanto que, às mulheres são atribuídas características como: intuição, respeito, humildade, preocupação com as pessoas, etc.. No entanto esta divisão não é estanque, sendo que um dirigente de topo (homem ou mulher) deverá manifestar as características mais assertivas de ambos os lados. 

Não podemos esquecer as dificuldades em equilibrar a vida familiar e o trabalho, a falta de apoio das chefias e alguma relutância em relação à mobilidade por parte das mulheres, sendo este um fator, que contribui para um número reduzido de mulheres em cargos de topo. Para agravar a questão, as mulheres só são escolhidas, para cargos de chefia, por empresas de recrutamento, se forem manifestamente melhores do que os homens.
Um outro fator que contribui para o reduzido número de mulheres em cargos de chefia, é inerente à própria mulher, manifestando-se através de auto-sabotagem, isto é; culpam-se por preterir os filhos/família, sentem insegurança e têm medo de assumir o lugar que lhes é dado.

Por último, mas não o menos importante, é a ausência de modelos femininos inspiradores, para as jovens que iniciam os seus cursos e consequente carreira profissional.

A nossa Conversa à Quinta, foi de facto uma conversa inspiradora, que permitiu uma partilha de experiências relevantes, destacando-se com a presença da Sra. Presidente da União de Freguesias da Caparica e Trafaria.

domingo, 16 de novembro de 2014

Maratona nos museus de Almada

Aconteceu ontem, 15 de novembro, o Peddy Paper nos museus de Almada, sob organização do Clube Peões da Caparica com o apoio da Divisão de Museu e Património Cultural da Câmara Municipal de Almada e da Junta da União de Freguesias de Caparica e Trafaria. Esta iniciativa foi inserida no âmbito das comemorações do quingentésimo quadragésimo segundo (542º) aniversário da Junta de freguesia de Caparica.

A maratona museológica propunha a descoberta do Centro de Interpretação de Almada Velha, Museu da Música Filarmónica, Núcleo Medieval Moderno, Museu Naval e Serviço de Arqueologia e História. Metade dos participantes fizeram a sequência do Peddy Paper indicada acima. A outra metade começou a sequência a partir do Museu Naval, e terminaram no Núcleo Medieval Moderno.


Das 12 equipas que se inscreveram regularmente, 10 acabaram por participar e divertir-se nesta iniciativa:
1.    Daniel Neves (CPC), Costa da Caparica, 4 elementos
2.    Carina Balcão (CPC), Feijó, 5 elementos
3.    Faltou
4.    Inês Dias (CPC), Vila Nova de Caparica, 4 elementos
5.    Manuel Santos (CPC), Vila Nova de Caparica, 5 elementos
6.    Marta Reis, Corroios, 2 elementos
7.    Cecília Pereira (CPC), Charneca de Caparica, 3 elementos
8.    Ana Bela Santos (CPC), Vila Nova de Caparica, 4 elementos
9.    Filinto Teixeira, Marissol, 3 elementos
10.    Faltou
11.    Fátima Arcangelo, Charneca de Caparica, 4 elementos.

No final, pelas 18h45, a equipa vencedora foi a capitaneada pela Ana Bela Santos. Todos os participantes receberam um livro “OuTrafaria” da autoria de Carlos Barradas Leal. A equipa vencedora, adicionalmente, recebeu também “Actas 1º Encontro Sobre Património de Almada e Seixal”, Centro de Arqueologia de Almada. Ambas as obras são ofertas da Junta da União de Freguesias de Caparica e Trafaria.


Obrigado a todos os participantes, e a toda equipa dos museus coordenada pela Drª Ângela Luzia, pela contribuição para o sucesso desta iniciativa. Agradecemos também à Câmara Municipal de Almada pela facilidade concedida de entrada gratuita nos museus e pela possibilidade de utilização do elevador panorâmico da Boca do Vento. Esperamos vir a dinamizar, em conjunto, outras iniciativas culturais num futuro próximo!

domingo, 2 de novembro de 2014

MUSEUS de ALMADA - Peddy Paper


No próximo dia 15 de novembro vamos explorar cinco espaços museológicos de Almada Ribeirinha e de Almada Velha que incluem:
  • Museu Naval
  • Serviço de Arqueologia e História
  • Núcleo Medieval Moderno
  • Museu da Música Filarmónica 
  • Centro de Interpretação de Almada Velha
O objetivo principal deste Peddy Paper é proporcionar um primeiro contacto com algumas riquezas que vivem nos museus e através de algumas questões elevar o conhecimento dos participantes sobre a história de Almada.

No Peddy Paper nos Museus de Almada, participam até 12 equipas, cada uma com até 5 elementos. Durante o Peddy Paper, os grupos serão sempre acompanhados por elementos da organização, que além de orientarem a sequência da visita aos vários locais, verificam o cumprimento das regras e registam, em cada espaço, os tempos de jogo. 

O ponto de encontro e de partida é a Casa da Cerca em Almada Velha, às 14h30 de dia 15 de novembro, sábado. As inscrições são gratuitas, e podem fazer através do e-mail: ac.peoes.caparica@gmail.com. No ato de inscrição há que indicar, os nomes, idades e localidades de todos os participantes; nome da equipa e nº de telemóvel de contacto do responsável da equipa.

Até dia 5 de novembro, as inscrições são exclusivas para equipas com pelo menos um sócio do CLUBE PEÕES DA CAPARICA; entre 6 e 12 de novembro as inscrições são abertas a todos os exploradores.

Esta iniciativa contou com o apoio da Divisão de Museu e Património Cultural da Câmara Municipal de Almada. Queremos agradecer explicitamente à Drª Ângela Luzia, Drª Maria José Santos, Drª Joana Esteves, Dr Luís Barros e Dr João Valente. 
Esta iniciativa enquadra-se no âmbito das comemorações dos 542 anos da freguesia de Caparica.

Não queremos deixar de agradecer o vital trabalho realizado pela nossa associada Clara Azevedo, essencial para levar a bom termo esta iniciativa. As excelentes fotos que fazem parte do cartaz e da divulgação desta iniciativa são da autoria do nosso sócio Daniel Neves.